terça-feira, 4 de novembro de 2008

Discos: Live In London por Chá das 6 & Babacaboy


Ou diria Super ID? Engraçado, esses dias nas aulas de Psicologia Social, estavamos falando da Escola de Frankfurt e aí como não pode faltar numa aula de psicologia começamos a falar de Freud, estavamos trabalhando nessa aula justamente um capítulo de um livro de Adorno e Horkheimer cujo o título era IDEOLOGIA. Aí quando entramos em Freud pra tatar do mesmo assunto, surgiu um conceito dele, na verdade três, são eles ID, EGO e SUPER EGO.
Claro o ID de Freud tem um significado diferente, trata-se dos processos primitivos do pensamento humano, são as pulsões (outro conceito dele), pulsões de preservação ou sexual. Ou seja o ID de Freud são as coisas mais primitivas do ser humano, e sempre relacionado ao sexo.

Enfim, no fim da aula chegamos à conclusão (após ver as várias ideologias que reinaram sobre a sociedade) que a atual ideologia dos nossos tempos é a "Ideologia da Racionalidade Tecnológica", o que seria isso? Bom isso envolve uma longa discussão à qual não farei pois não é ocasião pra isso. Mas em resumo envolve narcisismo, melancolia entre outras coisas, e principalmente a questão da mídia ditar o que você quer ter, e não adianta dizer que não é influenciado pela mídia. A mídia influência pessoas que influenciam outras pessoas, não a pessoa em si influencia outra, nem sempre, mas a própria mente da pessoa força ela a se render. Tipo, a ter um MP3 Player, porque todos tem, e você se força a ter um, e cria em sua cabeça que aquilo é o seu sonho e que quer porque vai ser ótimo pra você e não porque é moda. Mas na verdade você só está se enganando. Só o fato de querer um carro, uma casa, uma guitarra e uma banda sem pensar profundamente no que o leva a querer isso.

Nossa senhora, já me prolonguei demais, enfim, foda-se. Vamos falar da banda (ou projeto?) chamado SUPER ID. Já vimos que é um nome polêmico e que implica dezenas de significados, o que só mostra a versatilidade do nome.

Chá das 6... um nome pertinente. Algo do tipo: "Sou contra tudo, se o chá na Inglaterra é servido às 5 eu vou tomar às 6!". Ou não, pode ser um simples problema de fuso-horário, sei lá.

Babacaboy, um cara que está por trás disso tudo. Ele participa do projeto, da banda e solo, que coisa incrível! E bem modesta.

O que tinhámos ali pra gravar? Um laptop, um violão, dois caras (que disputam o violão), e um carro (a única testemunha sóbria). E é algo bem original gravar um disco dentro de um carro. O que me vem à memória é Bryan Adams que gravou um disco (Room Service) inteiro dentro de quartos de hotéis durante uma turnê. E o mais recente foi Brian Eno e David Byrne que gravaram um disco juntos sem se encontrarem pessoalmente nenhuma vez durante as gravações. Agora dentro de um carro, um local limitado, sem acústica adequada (só se for um Fusca), e bem apertadinho é novidade. Talvez a banda mereça entrar na série As Bandas Mais Chapadas do Brasil. E vos digo porque:

Primeiramente: É Live in London, mas não é o que vocês pensam. Nos dizeres de Chá das 6 durante uma entrevista que fiz via MSN, "fisicamente a gente não estava em londres, mas foi um momento sublime, difícil explicar... foi mto bom, MTO BOM!" Ou seja, os caras estavam em Londres na hora, mas aí é a velha lei da Física, tudo depende do REFERENCIAL. Pra eles, naquela hora era Londres, mas pra alguém que estava fora do carro eles estavam ali (ali aonde?), enfim... Teriam eles tomado LSD e em seguida visto o Big Ben pela janela do carro?

Segundamente: Os nomes das músicas. Que pessoa em sã consciência daria o título de uma música de XUXA COM REGGAE? A letra então? Chapadíssima.

Terceiramente: Uma conversa musical antes de tocar, envolvendo a SUPERCHAPADA banda JÚPITER MAÇÃ. E um cover no final do disco de uma música deles, mas aí não é mais dentro do carro.

NOTA: Todas as canções (exceto a derradeira, são TOTALMENTE improvisadas)

Vamos então à questão musical:

Canção da Tristeza (Parte 2): Começa com uma conversa, preparando o ouvinte. O assunto é a voz dos que ali estão, e aí já colocam o Herbert Viana no meio... "A maior lenda viva desse país". Perae! Eles estavam em Londres, então Herbert Viana é a maior lenda viva da Inglaterra, quem é Paul McCartney perto dele? E ainda se escuta uma pergunta ao fundo "Será que ele fuma maconha?" Começa com uma linda introdução no violão, e aí a música muda completamente e cresce e o vocal entra pra valer. Você percebe uma influência de Oasis, e a liberdade que a letra tem. Um Beat-Box e uma percussão feita literalmente nas coxas! Cara, que porra mais doida!!! Não sei nem o que falar, é um nível totalmente além, ainda estou tentando entender o que a Clarisse Lispector tem a ver com a música. E aí o Babacaboy começa a rir loucamente e já da pra perceber qual é a real da situação ali... Grande música, figura entre as melhores.

Quem é Ela?: Música inspirada no Mr. Frog da música do Júpiter Maçã. Ela é a protagonista da música anterior. Então vamos responder à questão da música.
Quem é ela? Ela é responsável por ter a revolução, sem ela não há revolução.
Como é o nome dela? Tristeza. Ela é celebrada, porque sem ela (a Tristeza) não há revolução.
Uma música que lembra o tempo das óperas-rock do The Who. Seria perfeitamente um capítulo de uma ópera-rock nos moldes de Tommy. Inclusive o instrumental é típico, a formação e tudo mais.

Big Ben: Depois de declarações levementes homoeróticas e de uma viagem começa a música. Na verdade começa a DISPUTA pelo violão. Após errar algumas vezes Chá das 6 promete emprestar o violão ao seu companheiro caso ele erre, e ele não erra... Um lance psicodélico, belo intrumental, um ótimo riff e uma letra muito bem elaborada (ou improvisada se preferir). Cheio de contradições "Quanto mais eu sei, menos eu sei", "Eu posso ser triste, mas sou feliz" ou seja, e você fica louco se parar pra pensar nisso.

Carta Secreta: (Babacaboy assume o violão) Essa começa engraçada! "Isso é uma carta secreta, nela eu vou te falar: Nananananan..." Mas a letra merece atenção, música sobre liberdade, aliás algo sempre presente nas letras anteriores. Uma breve música, o instrumental simplesinho.

Xuxa com Reggae: No começo mais uma dica do que ocorria entre uma música e outra. Oi? Enfim, essa música considero uma das melhores, se não a melhor. Seria o começo uma descrição do que acontecia ali ou a fumaça remetia àquele incêndio que teve no cenário do Planeta Xuxa? E aí começa o reggae, em inglês, mais uma dica. A voz do Babacaboy tá mais relaxada, mais livre, leve e solta. Ouvindo essa música senti saudades do Planeta Xuxa, confesso. "Você tem que saber que você não sabe nada. Porque é não sabendo nada e sabendo tudo, que nós somos exatamente isso, o NADA e o TUDO". Uau! Olha que esse parece ser o momento de maior sobriedade do disco todo, pra se ter idéia. A viagem aí só piora, uma pira atrás da outra, só ouvindo mesmo. Aí a música volta a ser o foco dos artistas, que deixam as homenagens de lado, "barros pode ser moldados" e "braços podem ser abraços (236x)".

Canção da Tristeza (Parte 1): Tipo uma reprise? Sei lá, como é a parte 1 não pode ser reprise, então a parte 2 é reprise? Também não, porque é a primeira música do disco. Essa é só mais uma das loucuras desse disco. Repete o sucesso da primeira (que na verdade é a segunda), quem é Clarisse?

Um Lugar do Caralho: Uma BÔNUS TRACK, notávelmente gravada em outro lugar. Esse era o lugar onde eles estavam quando gravaram esse disco, "um lugar onde as pessoas sejam loucas, e super-chapadas". Cover de Júpiter Maçã que não deixa nada a desejar, muito bom. E assim termina o disco, 30 minutos de liberdade extrema e chapação total.


Encarei a qualidade do som como algo positivo, adiciona uma honestidade ao trabalho, seria estranho fazer um disco improvisado com uma qualidade de gravação ultra-moderna. Por ser um disco extremamente íntimo de quem estava ali presenciando e participando de tudo, pode soar como algo muito ruim pra alguns. Mas usando o método COMPREENSIVO de Max Weber (tenho prova sobre isso quinta-feita) você consegue entender, mas não sentir, o que aconteceu ali. Logo fica difícil avaliar, seria algo INAVALIÁVEL para os rapazes que gravaram isso. Mas a espontaneidade deles ficou clara, algo único pra eles, nem tanto pra alguns, e muito louco pra outros que conseguem imaginar ou já viveram alguma situação semelhante.

GERAL: 7/10


DOWNLOADS E TUDO SOBRE SUPER ID

Chá das 6 & Babacaboy (Live in London)


www.superid.tk


Destaques:

Canção da Tristeza (Parte 2)

Xuxa com Reggae


Braços podem ser abraços...

5 comentários:

LP disse...

punk tira água de pedra

quero ver achar genialidade na bnta
ai o cara é fóda

Chá das 6 disse...

O Punk é mto foda.

O cara faz críticas imparciais de nível internacional.

E este álbum é mto bom!

V disse...

a critica não foi de todo mal!!
Qnto ao falado de freud e psicologia ali no começo, seria umas dicussão que iria longe, até prq o "conceito" Super Id é interessantissimo!!

Boa Punk Star!!

BaBaCaBoY disse...

Tiver que vir... Não costumo aparecer mto em publico, sou um herói da modernidade e não tenho mto tempo para algumas coisas... uheauehuahe
Gostei da critica, mas eu tava lá e o a sua resposta para a pergunta que não quer calar, não tem nada a ver, prq simplesmente não sabemos quem é ela.
Por isso fomos tão enfáticos.

Mto obrigado por sua atenção, eu msmo confesso q não é o melhor cd q ouviram na vida, mas o improviso total nos faz ouvir com outros ouvidos.
E claro, existe mto mais coisa!!

Vlw msmo!!

Chá das 6 disse...

Po! até o babacaboy apareceu! q pira!